Assassinato Perfeito.

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Escuro. Gritos. Dor. E minha risada.
Uma noite perfeita, uma morte perfeita.
Um assassinato perfeito.
Quem diria...
Achava que machucando tanto o coração daquela menina simplesmente teria lágrimas derramadas por ele. Como se ele fosse o melhor de todos, absoluto, fantástico. Um deus.
A menina com certeza tinha derramado suas tantas lágrimas, com certeza tinha tido a vontade de implorar novamente por ele.
Mas eu não fui assim.
Três vezes meu coração tinha sido partido, enganado, tinha feito-se de idiota, e agora o homem que havia feito isso com meu coração pagaria...
Desculpe, eu disse homem?
Que ridículo!
Aquilo não é um homem. Não importa a idade. É somente um moleque. Um garoto que se acha o melhor de todos, que crê que tem todo o direito de trazer a dor para suas muitas amantes. 
Repugnante.
Ele com certeza não pensava assim de si mesmo. Mas era assim que ele era: repugnante.
Achava que suas noites de prazer com a menina eram sem amor, pelo menos vindo dele realmente era. Mas dela? Ah, ela entregava seu corpo tentando mostrar como seu coração sentia.
Estúpida.
Suas pernas abertas nunca iriam mostrar o quanto de amor ele ia deixar entrar por ali. 
Estúpida, repugnante.
Mas eu faria ele pagar. Pagar por todas que ele havia enganado, e todas que ele havia colocado mais lágrimas em sua coleção infinita.
Arrancaria-lhe a pele. Dela eu faria pergaminhos, pergaminhos que iriam contar de vários modos diferentes sua morte. Morte absurda, morte bem programada. Morte perfeita.
Seu sangue derramaria sob meus pés. Suas lágrimas, mesmo que no escuro, eu poderia sentir. Sentir cada lágrima das meninas que ele havia enganado, que se pensavam mulheres por terem aberto as pernas para um cafajeste.
Depois, os gritos. Ah, sim, os doces gritos de dor e agonia, os mesmos gritos que as meninas haviam soltado quando ele tinha dito a verdade. Mentiroso.
O local seria a prova de som. Os gritos seriam ouvidos somente por mim. Os gritos eram somente meus.
E então, depois de banhar meu corpo no sangue dele, cortaria-lhe a língua e costuraria-lhe a boca. Nada mais de mentiras, meu querido deus. Meu deus do sol. 
Morto.
A sua imortalidade era uma mentira também, não é?!
Provavelmente você mesmo tinha a contado a si mesmo.... Repugnante.

Catelin Sofia (Ficha para filha de Hécate)

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Simples, normal. Era assim que poderiam definir-me. Aos olhos humanos a calmaria que a menina passava a todos era incrível. Controlada, simpática, realista. Uma pessoa que gerava confiança quando sorria, e empinava o nariz quando o seu orgulho era esbofetado. Uma pessoa que não dava-se por vencida, mas sim continuava em pé, mesmo com as dores de cólera que pudesse estar sentindo.
Mas o que os olhos humanos não vem, é por que a névoa o cobre.
Eu não sabia da verdade, por que eu iria saber. Quase todos não sabiam, em verdade. Mas coisas estranhas começaram a acontecer comigo e eu fui perdendo a minha sanidade aos poucos. Ou achava que estava.
Sentia que todos observavam-me, que todos tentavam me derrubar. As letras sempre flutuavam no papel, mas isso era normal, até o ponto em que elas começaram a formar palavras assustadoras, desejos de morte, desejos de vingança.
Chegava em casa com os olhos arregalados, tentando observar tudo o que se encontrava em minha volta. As pessoas passaram a dar-me medo, a perseguir-me. A única que parecia não me observar, não julgar-me era minha cobra. Doce Safya. Todos tinham medo de mim principalmente por causa dela. Uma cobra venenosa, assustadora, mas que além de tudo era minha única amiga, a única que não se importava com meus gritos de loucura, e sim sibilava para mim como se pedisse para eu ter calma. Calma, como sempre todos os outros dias eu vinha me mostrando. Uma menina calma.
Mas era difícil continuar, com os olhos sempre mostrando cada vez mais o que ocorria ao meu redor. Não, minha calma tinha ido embora, até o dia em que eu havia descoberto a verdade.
Um dia eu estava na escola, com os olhos pesados pelas noites mal dormidas, com olheiras que já vinham ganhando uma cor roxa, tentando ao máximo possível ignorar as letras que dançavam ao meu redor. Todos os olhares curiosos caiam sobre mim, como se eu fosse um monstro que estivesse a ponto de atacar todos. Mas a pergunta era: e eu não faria mesmo isso, se minha sanidade não estivesse boa como sempre estivera?
As letras formavam palavras em minha frente, palavras como “mentira”, “farsa”, “errado”, “anormal”, “perigosa”.
Levantei a mão.
-O que é, Catelin? – A professora olhou irritada para mim, como se pedir para sair por estar passando mal fosse muito errado. Quando levantei os olhos roxos para ela, a primeira coisa que eu pude ver em seu olhar era repulsa. Desejo de me ver longe da mesma. Algo que eu já estava me acostumando a ver nas pessoas. Ela mandou eu sair de sala e ir para a enfermaria, mas meu mundo insano já me enlouquecia tanto que eu só queria ir para um lugar: para onde estava o olhar querido, calmo e atencioso de Safya.
Corri para casa. Mesmo que o cansaço não permitisse, corri. Corri mais do que o normal. Abri a porta com grosseria e subi as escadas em segundos. Não havia ninguém para reclamar do meu barulho, nem para perguntar por quê eu não estava na escola. Se estivessem nem sequer se preocupariam. Abri a porta do meu quarto, e lá estava Safya, no chão, encarando-me com os olhos amarelados. Suspirei e deixei que ela se enrolasse por meu corpo, e subisse até meu pescoço. – O que está fazendo fora do aguário, Safya...? Ah, tanto faz, não é? Tanto faz tudo. – Acariciei a cabeça dela como se fosse um cachorrinho e sentei em minha cama. – O que está acontecendo, Safya? Por quê tudo fica me dizendo essas coisas? As palavras sempre flutuaram, mas agora elas ficam me contando segredos? Por quê ficam me perseguindo, me olhando com repulsa? Antes eles tinham medo de mim, Safya... Medo!
Safya sibilou em meu ouvido e desceu pelo meu braço. Eu gostava da cosquinha que seu corpo fazia quando se rastejava pelo meu, eu gostava de sentir o medo de um dia ela ficar insana como eu e então me picar. Eu gostava do fato de que um dia eu poderia morrer por causa da minha melhor amiga reptiliana. Ela percorreu o caminho até a porta de meu quarto e virou novamente para mim. Seus olhos diziam que eu devia segui-la, diziam que tudo melhoraria e eu acharia meu lugar. Diziam que as palavras não iriam mais flutuar, e que agora tudo o que elas formassem seriam de meu gosto, e não para meu medo.
Levantei da cama como se ela comandasse todos os meus sentidos e a segui. Ela rastejava pelos cantos mais estranhos da cidade, expulsava do caminho todos os assustados que viam a cobra passando e guiando sua dona. Encarava com olhos vingativos os que vinham atrás de mim, pessoas que quando eu virava para trás, podia reconhecer os rostos. Novamente as letras formavam a palavra “perigo” na minha frente, e meu corpo cansado conseguia mais energia para locomover-se atrás de Safya.
Então, sem eu ter noção do tempo que tinha caminhado atrás dela, com os pés dentro das botas doendo, e com a roupa ridícula de sainha da escola dando-me frio naquela noite; Safya parou e subiu novamente por meu corpo. Enrolou-se em meu pescoço e sibilou, apontando os olhos para a frente. “Aqui,” diziam os olhos dela “aqui é seu lugar”. Levantei os olhos, e dessa vez as palavras não me assustavam, dessa vez as letras não dançavam em minha volta zombando de mim. Eu sabia o que aquilo era, algo dentro de mim fazia com que eu me sentisse em casa, como se sempre tivesse sabido daquele lugar. E lembrei que Safya havia me contado.
Sorri, um dos poucos sorrisos que tinha consiguido dar depois de minhas longas semanas de loucura. – E aqui aceitam animais de estimação, Safya?

Obcecada.

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Por que eu tinha aquela necessidade?
Aquela necessidade de você?
Eu não o amava, mas mesmo assim, pegava-me obcecada se você chegaria logo.
Eu era somente sua amiga, mas mesmo assim, quando você disse aquelas palavras, peguei-me pensando onde você estaria agora.
Eu sei que aquilo não era paixão, era somente uma obcecação que eu tinha por todos quando me diziam o que você tinha dito para mim.
Mas era forte, forte de mais.
E isso me incomodava.
Eu sempre fui fria, sempre afastei o amor o mais rápido o possível, tentava fingir ignorância. 
Sempre falhava, mas pelo menos ainda tentava.
Tentava não me machucar, não me iludir.
E agora ali estava eu, pensando se você chegaria ou não, em uma espera constante e interminável.
"Ele só quer ficar com você, menina. Não é nada mais do que isso. Um beijo, um aperto, uma mordida. Depois nada mais. Sem sentimentos fortes."
"Sim, sem sentimentos fortes, só uns beijos e depois... depois nada. Ele ia embora de onde tinha voltado e pronto."
Fechava os olhos e dormia, sonhando com seu rosto, e imaginando os beijos que nós dois trocaríamos.
Eu balançava a cabeça quando via minha imagem movendo os lábios desesperadamente a procura de um sentimento forte, de amor, de paixão, bem escondido dentro de você, do qual eu pudesse me agarrar e finalmente iludir-me novamente, pensando que você seria diferente.
Eu não queria meu mal, eu só queria alguém. Alguém que cuidasse e me amasse, e esse alguém podia ser você, não podia?
Mas eu me sentia culpada por pensar isso. Eu não amava você, era obsessão.
Um desejo, nada mais do que um desejo.
De qualquer forma eu notava cada detalhe. 
E eu sempre fui uma mulher de detalhes.
Detalhes que podiam mudar meu modo de pensar.
Por que você tinha que chegar chamando-me de "minha linda" em vez de somente "linda", como sempre fazia?
Não!
Tinha que mudar no momento em que eu mais queria largar dessa oportunidade que eu havia inventado em minha mente.
"Eu não sou sua linda, eu só sou minha, de mais ninguém. É só um desejo, somente um desejo..."
Eu repetia todas as noites que ia dormir.
Mas eu ficava mais desesperada por você. Por ver você chegando. Por ver você cumprindo sua promessa.
"São só uns beijos, menina. Só uns beijos. Sem compromisso."
Eu queria compromisso!
Era isso que eu queria... Mesmo que fosse para me afastar... Mesmo que fosse para eu provar do amor mais um pouco, mais uma vez...
Como eu era má! Como eu sou má!
Não!
Não se pode ser má, e machucar um outro, se tudo o que ele quer é simplesmente ter um pouco de seus lábios, não de seu coração.
Mas eu estava tão desesperada... Tão desesperada por carinho, um carinho nos cabelos, um beijo na testa. Beijos que desenhassem todos os ângulos de meu rosto. Tão desesperada por braços cobrindo meu corpo, protegendo-me de tudo, e todos os outros. Dizendo "com ela não, ela é minha."
Minha linda... Ah, por quê você chamou-me de minha linda? Por quê me deixar tão obcecada? 
Por que eu tinha que me iludir tanto? Me machucar tanto...
Querer tanto...

Aventuras de uma escritora medieval. (Capítulo 3 - Parte 5)

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Quando saí do castelo, depois de ter ouvido mais gracejos no ouvido pelo Rei, depois de ter sido um pouco mais alisada por ele, lancei mil e uma desculpas para minha mãe.
Passei por Bernad chorando, e ele me seguiu até a casa. Derramei todas minhas lágrimas na camisa de Bernad, que acariciáva-me os cabelos e beijáva-me o rosto. Ele dizia que tudo bem, que não tinha sido culpa minha, mas tinha. Ele sabia que tinha. Eu podia ver no olhar dele a tristeza, a mesma tristeza que eu sentia quando me via traída. E então comecei a disparar desculpas para ele também. Desculpava ele e minha mãe, mas ele dizia que tudo bem. Que eu tinha feito forçadamente. Tinha sido ameaçada à morte.
Mas eu não aceitava.
Dormi nos braços de Bernad pedindo desculpas, com ele acariciando minhas costas nuas, pois o resto estava coberto pela coberta. Ele também não aceitava me ver nua antes do casamento, mesmo tendo me visto nua quando eu era pequena, e eu a ele. Ele somente se permitiu a segurar meu corpo coberto, e então deitar-me em minha cama, e ficar sentado do meu lado, com meu rosto jogado em seu ombro, chorando.
E em nenhum momento da noite ele soltou-me e foi para casa, deixando-me sozinha. Ele continuava lá , continuava com a mão em meus cabelos e a outra em minhas costas, e cuidando para que eu estivesse coberta o suficiente contra o frio.
- Eu te amo, Bernad. Desculpe... Desculpe por tudo, é tudo culpa minha, eu não devia ter feito aquilo, eu... - Chorei mais um pouco e pressionei o rosto ao peito dele. - Eu te amo tanto, Bernad... Eu só posso dizer obrigada e desculpas a você...
- Eu também te amo, Sophie. Não se preocupe com isso que meu amor por você não vai se dissipar por causa disso. Todo esse tempo eu amei você, e não vou parar agora. - Ele beijou minha testa, mas eu levantei o rosto e o beijei na boca. E ele não tentou desviar. Simplesmente aceitou meu beijo e devolveu com o seu. Dormi com os lábios tocando o pescoço dele, e ele dormiu ao meu lado na cama. Sem tirar as cobertas de cima de mim, sem ver nenhuma parte do meu corpo. Totalmente o contrário do que todos os malditos que eu havia um dia amado erradamente fizeram, sem pensar duas vezes.

Aventuras de uma escritora medieval. (Capítulo 3 - Parte 4)

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- Eu? Vossa Alteza mesmo proibiu as mulheres de saberem ler, como eu poderia saber?
- Sua mãe não era boba. Ela com certeza ensinou você a ler, querida. Aliás, ela precisava que alguém lêsse para ela nas noites de insônia... - O Rei sorriu e nesse momento eu soube que ele já conhecia minha mãe faz muito tempo. Mas não era possível, ela o odiava mais do que tudo... Abaixei os olhos pela primeira vez na presença dele, e ele simplesmente cabelos, e os soltou. levantou meu rosto, admirando-o. - Ah, sim. Eu conheço sua mãe muito bem. Seu pai era muito sortudo por ter uma mulher como ela na cama, mas ele não era o único... - Ele passou a mão pelos meus
- Como assim...?
- Uhum, Sophie, eu tinha ela em minhas mãos. Era apaixonado por ela... Ainda sou... Por quê acha que ela as vezes chegava tão cansada em casa e como acha que ela tinha tanto trabalho a fazer? Eu encomendava por ela poesias, e aumentava o preço se ela fosse comigo até a cama. Ela dizia para mim que fazia somente por sua filha, e aqui está ela. Sophie Stone... Igualzinha a sua mãe, sim... - Ele voltou a por as mãos em minha cintura e beijou meu pescoço. Não fiz nada.
A raiva e o medo, o ódio e a tristeza prencheram-me. Minha mãe fazia amor com aquele ridículo por minha causa, para poder cuidar de mim!
Peguei o pergaminho e o abri, afastando o Rei de mim.

"Nas noites obscuras, nas noites em que as estrelas brilhavam tanto que meu corpo parecia ser feito das mesmas, eu a encontrava.
A perfeição em corpo e em alma, a perfeição em fala e em palavras. Aquela era você, com seus olhos brilhantes como a lua. Seus olhos azuis e delicados, que brilhavam com a noite de modo que eu não podia te perder.
Como você era linda, meu amor, como eu a queria. Beijava seus lábios e seu corpo, até mesmo a sombra deles. Beijava-a como se fosse a última vez, como se um dia morte pudesse tirar-la de mim. E tirou.
Não sei dizer quantas lágrimas e juras de matança eu havia feito, mas eu as cumpri.
Ainda sinto o prazer de ver o sangue aos meus pés, ainda sinto o medo por tudo o que tinha feito. Meus olhos derramaram mais lágrimas ao os olhos de medo das mulheres e das crianças. Todos os homens que um dia haviam machucado-te estavam mortos, mas com eles não tinha conseguido-te devolta.
Nada mais a traria de volta, e o modo era esquecer-te. Esquecer-te como esquecemos a alegria no momento de tristeza. Esquercer-te para todo o sempre, até meu leito, quando poderia enfim encontrar-te."

Cada palavra ecoou como um feitiço sobre mim. O Rei sorriu e bateu palmas. - Magnífico! Lázaro é um grande escritor realmente... Captou muito bem o que eu queria...
- Como o senhor consegue?! Sorrir tanto vendo o corpo de minha mãe balançando ao vento enquanto eu choro?! - As lágrimas vieram ao meu rosto, e o Rei simplesmente pegou-me no colo e levou-me até o seu aposento.
Tentei ao máximo possível me soltar dele, mas ele me segurava com força e me jogou com um pouco de delicadeza em sua cama. Eu continuei chorando, e gritei quando ele começou a beijar todo meu corpo.
- Saia daqui! Deixe-me ir! Não sou minha mãe para entregar-me à você! - O empurrei, mas ele simplesmente riu e beijou minha orelha, e sussurrou:
- A não ser que queira morrer em uma forca como sua mãe por saber ler, é melhor se entregar aos meus gracejos, senhorita Sophie.
- Então me mate! Me mate que tudo será muito melhor para mim! Era o que mais desejo!
- Ah...- Ele riu e começou a tirar meu vestido. Começou pelas mangas e foi descendo-o. Lutei para impedí-lo, mas a minha força comparada a dele não era nada. - Acontece que seria um desperdício matá-la, antes de ter algumas noites de prazer com você, Sophie.
Ele acariciou meus braços, e terminou de tirar meu vestido.
Ele examinou cada detalhe de meu corpo nu, e começou a tirar as suas próprias vestes.
Eu não pude impedir de ver-lo sem roupas. Não pude impedir a mim mesma de examinar cada detalhe dele, e não pude impedir o fato de desejar realmente uma noite com um homem como aquele.
As cortinas avermelhadas e aveludadas estavam fechadas, impedindo o sol de entrar. Ele beijou todo meu corpo, como fazia com o cadáver de minha mãe, e beijou ainda mais especialmente meus peitos. As lágrimas pararm de descer, e eu cedi àquele encanto.
Cedi a tudo e me entreguei a ele.
Beijava os lábios dele do mesmo modo que ele beijava os meus, beijava todo o corpo dele, e apreciava os gracejos que ele fazia em todo meu corpo. Entrelacei as pernas nas dele, e ele segurou-me pela cintura. Continuava me beijando, enquanto brincava com minha língua e acariciava minhas costelas e depois minhas coxas.
Lembrei de todas as noites de amor que tive com homens. Homens ridículos, que partiam e quebravam meu coração. Mas eu os amava, naquelas situações. Nessa oportunidade, o único que sentia era repulsa e nojo, mas ao mesmo tempo prazer.

Aventuras de uma escritora medieval. (Capítulo 3 - Parte 3)

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- Pode sair, Liliane, quero conversar um pouco com a senhorita Stone. - Ele chamou com a mão alguém, ao mesmo tempo que Liliane saia, me encarando, com os olhos cheios de ódio. Aquilo não era nada bom. Quando voltei meus olhos para o Rei, ele tinha em suas mãos um vinho tinto. Tomou um gole e sorriu maliciosamente para mim. Enrubeci. Como ele era bonito, aquele desgraçado. - Então é a senhorita que trouxe o poema de Lázaro até mim?
- Sim, senhor. - Cruzei as mãos atrás de mim, e assenti com a cabeça. Tentei o máximo parecer submissa, mas minha mãe havia ensinado-me a não ser. - Aqui está. - Tirei o pergaminho de uma dobra em meu vestido, e um mordomo tirou-a de minha mão delicadamente, abaixando-se um pouco demais, olhando meus peitos. Lancei um olhar congelante a ele. Ele saiu tão rapidamente de perto de mim como chegou.
O Rei continuava olhando para mim, sorrindo de orelha à orelha. O mordomo entregou-lhe o pergaminho, e sem tirar os olhos de mim, o Rei o recebeu.
- Então, senhorita, é casada com Lázaro? - Ele abriu o pergaminho tão rapidamente que senti uma dor horrível de só imaginar que as palavras para minha mãe podiam ser rasgadas com mais um toque do Rei. Mas não foi assim.
- Não. - Ele levantou as sombrancelhas e o mordomo lançou-me um olhar de horror. Tinha esquecido-me. - Perdão. Não, senhor. Sou somente uma mensageira. Ele contratou-me para entregar suas encomendas, pois tem muito trabalho e não tem como entregar seus trabalhos pessoalmente.
- Ah, bem. É realmente uma pena para ele não ter a senhorita como esposa. Parece... Graciosa. - Ele sorriu mais ainda o sorriso malicioso e levantou do trono. Ele era alto, realmente alto. Do mesmo modo que Bernad. Uma capa vermelha aveludada deslizava atrás dele. O Rei chegou perto de mim, e, olhando nos meus olhos, pegou a minha mão. Senti vontade de retirar a minha mão fria da mão quente dele, e depois dar-le um tapa, mas eu não podia. Mordi minha língua para ficar quieta, mas  ele percebeu, dando uma risada forte. - O que houve, senhorita Stone? Como posso chamá-la, aliás? Como era mesmo seu nome? Sofia?
- Sophie... Senhor. - Levantei o queixo ainda mais, e ele apertou minha mão, conduzindo-me até a varanda.
Era realmente linda.
Estava cheia de flores, muitas orquídeas, de todas as cores. Bem no meio de todo aquele explendor estava uma mesa posta e duas cadeiras. Ele puxou uma delas e eu me forcei a sentar nela. Mas ele não se sentou. Em vez disso continuou em pé, admirando a vista. Levantei um pouco da cadeira para ter a mesma vista que ele, e pude perceber que ela dava para a praça principal, com a forca de minha mãe bem no meio. Quantos lugares ele tinha para admirá-la?
- Ela não é linda?
- Senhor?
- A moça na forca. Ela não é linda? - Ele sorriu e sentou-se à minha frente, e meu corpo começou a tremer. Ele era lindo e eu não podia negar isso. Que minha mãe me perdoasse, mas por um momento eu o desejei. Até lembrar de quem falávamos. Fiquei calada, fazendo que sim com a cabeça. Ele riu e levantou-se novamente, puxando-me pela mão e logo levando-me até onde a vista era melhor. - Quando ouvi seu sobrenome soube que era filha dela. Eu sinto muito. Foi realmente um desperdício, mas ela escrevia, e a senhorita sabe como isso é extremamente proibido aqui...
- Não sente nada. - As palavras saíram de minha boca e meu rosto ficou vermelho. Ele apertou minha mão com força e eu mordi a língua até sangrar. Mas o único que o Rei fez foi sorrir mais e mais. Ele passou o dedo por meus lábios de modo a ver uma gota de sangue. - Você é diferente. Age independentemente, diferente de todas as outras, que curvam-se diante minha cama o mais apressadas possível. - Ele levantou mais meu queixo e beijou minha boca, limpando o sangue com a língua.
Afastei-me dele e virei a cabeça, olhando com lágrimas nos olhos o corpo de minha mãe. Como eu odiava esse homem! Como ele era atraente demais para ser tão odiado!
- Perdão, mas eu devo ir. O senhor Roberts deve estar me esperando para mais uma encomenda. - Dei as costas para o Rei, mesmo todos dizendo que não se devia fazer isso. Que se dane!, pensei.
- Ah, Sophie. - A menção de meu nome me fez ficar com mais raiva, mas eu já tinha dito de mais. Fechei as mãos em punhos, mas ele as pegou, e pôs a mão em minha cintura. Tirou de um bolso o pergaminho, que eu não tinha notado, mas ele havia guardado antes, e sussurrou em meu ouvido. - Só peço que ouça as palavras que Lázaro escreveu à mim. Devem ser bonitas, já que são dedicadas para a sua mãe. Sabia que vocês duas são idênticas? - Ele levou a outra mão para minha cintura, depois de entregar-me o pergaminho. - Sei que a senhorita não sabe ler, mas eu adoraria que ouvisse todas as palavras com completa atenção. - A voz dele dominava minha cabeça, dominava com raiva, com ódio, com prazer. Ele levou as mãos para um pouco mais acima, e eu saí de seus braços, indo diretamente à sala do trono.
- Quem lerá, senhor? - Meu coração batia mais rápido, e minha cintura formigava com os toques dele. Maldito, maldito sedutor.
- Você mesma. - Ele riu e parou bem em minha frente, com o rosto a centímetros do meu. 

Aventuras de uma escritora medieval. (Capítulo 3 - Parte 2)

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- Parada aí, mocinha! - Uma lança dominou o meu olhar e fiquei vesga, vendo a ponta brilhante e bem afiada da besta. - O que veio fazer aqui no castelo?  - Levantei os olhos e encarei o soldado. Idiota, tinha que ameaçar assim até as damas indefesas? Sorri, um sorriso maldoso, mas com certeza aquela carinha bonitinha que ele tinha não conseguia notar a diferença. Como se eu fosse uma dama indefesa.
- Perdão, sou Sophie Stone, e estou aqui a favor do poeta Lázaro Roberts. O Rei encomendou por meio deste um poema, e vim entregar-lo em mãos do nobre. - Tornei meu sorriso calmo e sedutor, enquanto alisava meu vestido. Bem ali onde estava minha mão escondia-se uma faca.
- Oh, sim. Pode passar. - Ele assentiu com a cabeça. - Abram os portões! - Gritou, e logo o pesado portão que protegia o castelo foi levantado.
Passei por ele com o queixo erguido, com uma postura perfeita. O soldado deu um tapa em minha bunda e riu uma risada maliciosa. Fiquei vermelha de raiva, mas jurei ficar quieta. Tinhha guardado o rosto daquele homem muito bem em minha cabeça, e no dia que eu o enganasse para ir para minha cama, ele seria um homem morto sem prazer algum.
Entrei no castelo com a cabeça ainda erguida, e logo apertei a dobra do vestido aonde escondia a faca. Morto.
- Quem é você? - Uma mulher de cabelos loiros e olhos azuis claros (de longe nada parecidos com os meus, que pareciam banhados em leite), com uma veste vermelha de seda me parou no meio do caminho.
Nunca tinha me achado feia até ver ela. Os cabelos eram compridos, lisos, presos em um penteado complicado que devia ter durado muito tempo para se fazer, os olhos bem encontrados, pintados, e a boca vermelha. E, além de tudo, tinha o corpo bem definido por causa da roupa. Uma cintura fina, não tinha muito do busto, mas já era o suficiente para chamar atenção nos homens, e magra. Além de tudo magra.Eu era nada do lado dela. Com o vestido esfarrapado, com os cabelos curtos e ondulados, um corpo bonito, tudo bem, mas as minhas roupas não o deixavam atraente como ele de verdade era. Mas eu tinha mais busto, isso com certeza.
Fiquei vermelha. Notei que tinha perdido a fala e que parecia me importar com quem era a mais bonita. Para quem? Tirei isso de minha cabeça, concentrando-me no único motivo de estar ali: O poema dedicado à minha mãe.
- Hãn... Sou Sophie, senhorita. Vim a favor do poeta Láz...
- Ah, sim! Você. É a menina que trabalha para ele? Pensava que era mais bonita. - Ela espantou uma mosca invisivel no ar, com um ato surpreendentemente delicado. Meu rosto pálido devia estar muito vermelho. Como ela era feminina e eu... Eu era uma moleca que se fantasiava de homem! - Siga-me, ele já o espera.
Respirei fundo e a segui. Senti vontade de abaixar o rosto e escondê-lo enquanto ela estava perto de mim, mas não o fiz. Continuei com o nariz empinado, postura correta, examinando cada detalhe do castelo com minha eterna curiosidade. "Um dia você ainda morrerá com essa curiosidade toda, Sophie. Mas não posso impedir que seja assim..." Sorri ao lembrar do que minha mãe sempre dizia sobre a minha curiosidade. Realmente, eu um dia ia morrer por causa disso. Mas agora, o que eu queria era ficar do lado dela, e se para isso precisasse morrer, eu morreria.
- A senhorita Stone já chegou com sua encomenda, senhor. - A menina sorriu carinhosamente para o Rei. Deve ser a moça que trabalha com ele na cama., pensei. Só podia ser.
- Ah, ótimo. - O Rei tirou os olhos da janela, parando o olhar em mim. Um olhar assustado, um olhar de medo, como se tivesse visto um fantasma. Ele ficou calado, mas continuou me examinando. Perguntei-me o porquê daquilo tudo e lancei um olhar rápido para a janela pela qual ele tanto olhava. Ah, sim.
Lá estava o corpo de minha mãe. Tão bem cuidado... Doente, aquele rei era doente.